| Cartão
de Crédito - Como lidar com ele?
Por
Paulo de Tarso

O chamado dinheiro de plástico
está ganhando cada vez mais terreno. Não sei bem como
andam as estatísticas mas sempre leio que o uso do cartão
está aumentando cada vez mais. Eu gostaria de compartilhar
com você algumas regras práticas que tenho aprendido
ao longo do tempo para que você use seu cartão da melhor
maneira possível.
É
realmente necessário usar o cartão?
Não. Apesar da prática bastante arraigada, o cartão
de crédito não é imprescindível e às
vezes, indesejável, principalmente se você tem dificuldades
com a disciplina financeira. Aliás, algumas pessoas usam
o cartão pensando que ele as ajudarão a serem mais
disciplinados ou coisa semelhante. Nada mais longe da realidade.
Particularmente eu percebo que o uso do cartão de débito
ajudaria mais porque o débito é realizado imediatamente
e assim sabemos que o que fica na conta é real, pois não
está comprometido com lançamentos futuros, ou seja,
quando chegar a data de vencimento do cartão. Existe uma
estatística interessante, a de que, quando usamos o cartão
de crédito, normalmente gastamos 30% a mais. A razão
é simples. Quando usamos o cartão não sentimos
que estamos gastando, pois a conta só chega 30 a 40 dias
adiante.
Cartão
de crédito não é orçamento.
Já ouvi comerciais de cartão de crédito que
falava das vantagens de se possuir cartão e tudo o mais.
Dentre estas vantagens estaria o fato de que todas as compras vem
discriminadas e que este registro é muito bom e etc. e etc.
É importante dizer que a fatura do cartão, por mais
discriminada e detalhada que seja, não é orçamento.
Ela apenas diz o que você comprou, mas não garante
que comprou o que devia ou o que estava orçado. Só
um orçamento pode dizer a você claramente cada um dos
valores a serem gastos em cada área de necessidades tais
como moradia, supermercado, roupas, etc. Não caia nessa de
achar que a fatura de cartão substitui o orçamento.
Se as estatísticas estiverem corretas, pode ser justamente
o contrário, ou seja, que você estourou em 30% alguns
itens do seu orçamento. Então, sempre que comprar
com cartão, não deixe de registrar essa compra no
orçamento, para saber que o valor dela comprometeu uma parte
do item “roupas”, só para citar um exemplo.
Quantos
cartões devo possuir?
Bem, a esta altura da nossa conversa, eu diria que um só
cartão já é mais que suficiente. Perceba que,
em princípio, você pode ter vários cartões
e estar em equilíbrio financeiro. Para os disciplinados o
cartão não é um problema tão grave assim.
Eu me considero uma pessoa disciplinada financeiramente,mas vez
às vezes dou uma escorregada com o cartão. Nada grave,
mas acontece. Imagine para os que não tem disciplina. Portanto,
não seria razoável eu dizer que você deve possuir
apenas um cartão. Mas veja o seu perfil. Eu recomendo que
você seja o mais conservador possível, pois, por experiência,
sei que as pessoas são movidas a gastos, por isso, quanto
menos cartão, melhor.
Devo parcelar?
O parcelamento é, teoricamente, uma das vantagens do cartão,
além daquela de vencer numa data posterior à da compra.
Mas o perigo é você cair na mentalidade do endividamento.
É aquele modo de pensar de que só conseguimos comprar
coisas nos endividando. Se você se convencer disso, estará
no pior dos mundos. Lembre-se que, normalmente, as lojas pagam um
percentual do valor da compra para a operadora do cartão
e também embutem juros nas parcelas. Por isso a frase “parcelas
sem juros” não é verdadeira. O correto seria dizer
“parcelas iguais”, mas dizer qual o juro que está embutido.
Se você conseguir negociar uma redução equivalente
aos juros e remuneração da administradora para pagamento
à vista, seria a melhor opção.
Pague a fatura integralmente!
Não seria nem necessário falar, mas, é sempre
bom lembrar que o total da fatura deve ser pago na data de vencimento.
Com juros que variam de 10 a 15% ao mês, não podemos
dar essa moleza para os cartões, certo? Se você não
conseguir pagar o total da fatura, provavelmente é sinal
de que não está disciplinado suficientemente para
lidar com o cartão. Então, ao invés de ficar
racionalizando, que tal dá um tempo com o cartão e
repensar a relação? Creio que seria uma decisão
inteligente.
Sucesso!
Paulo
de Tarso é engenheiro civil e mestre em teologia pela Faculdade
Teológica Batista de São Paulo. Idealizador do site Finanças para
a Vida e organizador do livro e do Seminário Sabedoria Financeira.
(paulodetarso@financasparaavida.com.br)
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