| Crédito
– Amigo ou inimigo?
Por
Paulo de Tarso

Estamos
expostos a uma enxurrada de crédito. Há inúmeros
comerciais oferecendo dinheiro. Somos parados na rua, em frente
às lojas das financeiras; o crédito consignado é
uma realidade; celebridades da televisão, cinema e esportes
nos convidam a pegar dinheiro fácil e, em praticamente todas
as lojas a opção mais comum é esticar o pagamento
para as chamadas “suaves prestações mensais”.
Herança
dos Pais?
Ainda outro dia eu estava em uma empresa, antes de iniciar uma palestra
e o diretor comentou que havia ouvido em um programa de rádio
o quanto as pessoas, mesmo aquelas com alto grau de instrução
são suscetíveis ao consumo exagerado, o que acaba
gerando desequilíbrio financeiro pessoal ou familiar. Bem,
por experiência posso dizer que isso é verdadeiro.
E isto porque, mesmo pessoas com bom grau de instrução,
em geral, não foram educadas para lidar com o dinheiro. Como
já falamos repetidas vezes, educação financeira
não faz parte dos currículos escolares. Conseqüentemente
restaria contar com a orientação dos pais. Mas infelizmente,
os pais em geral, como também não foram educados para
administrar o dinheiro, acabam, cedo, transferindo aos filhos esta
falta de educação e problema vai se arrastando geração
após geração num círculo vicioso, quase
sem fim. Mimamos nossos filhos com coisas que eles não necessitam
e não ensinamos os princípios básicos para
o progresso financeiro, tais como poupar, investir, gastar com sabedoria
e dar com generosidade.
Crédito
em abundância
Lembro-me muito bem quando ainda era funcionário e estava
me preparando para montar meu próprio negócio. Participei
de um seminário para empreendedores e lá ouvi um relato
interessante a respeito da história dos empreendedores. No
início, pensava-se que o problema crucial para os empreendedores
era crédito. Então abriu-se linhas de crédito
para abastecer as empresas. O resultado foi pífio. Hoje,
da mesma forma, verificamos que, se problema das pessoas pudesse
ser resolvido com crédito, todos estariam muito bem, pois
não falta crédito, como já falamos anteriormente.
Infelizmente, o resultado prático do crédito em abundância
é justamente o contrário do desejável, pois
as pessoas e famílias continuam endividadas, pagando juros
altíssimos e vendo os relacionamentos irem por água
abaixo. O governo, que deveria agir com sabedoria, é levado
pela mesma armadilha. Viabilizou o chamado crédito consignado
e o nível de endividamento das pessoas só aumentou.
O que adianta crédito sem educação? Não
adianta termos dinheiro se não sabemos como administrá-lo
corretamente, ou, como diria o rei Salomão: “Dinheiro na
mão de um homem sem juízo não vale nada, porque
ele não é capaz de usar a riqueza para conseguir o
que é importante, a sabedoria.”
Ganhando
ou pagando juros?
Estamos proibidos de usar o crédito? Creio que não.
Nem mesmo a Bíblia faz esta proibição. Estamos
em tempo de novas sete maravilhas do mundo. Isto me lembra que o
Barão de Rotschild, ao ser perguntado se conhecia as sete
maravilhas do mundo antigo, teria respondido: Não, mas conheço
a oitava: os juros acumulados. A questão é: estamos
usando esses juros a nosso favor ou contra nós? Quando conseguimos
separar dinheiro e investir, ganhamos juros. Isso é bom,
nos fazer progredir financeiramente. É o que deveríamos
fazer sempre, durante toda a nossa vida e ensinarmos nossos filhos
a fazer o mesmo. Mas, em geral, quando compramos a prazo, pagamos
juros, e assim empobrecemos. Não é sem razão
que os bancos e emprestadores de dinheiro estão sempre batendo
recordes de lucros enquanto as pessoas e famílias se afundam
cada vez mais no endividamento. Não estamos fazendo nosso
dever de casa. Você pode até usar o crédito
disponível no mercado dentro de certos limites com bastante
equilíbrio. Mas se quiser minha opinião pessoal, gostaria
de estimular você a ganhar juros ao invés de pagar
juros. Isto é possível e o ajudará a estar
mais próximo do equilíbrio e sucesso financeiro.
Sucesso!
Paulo
de Tarso é engenheiro civil e mestre em teologia pela Faculdade
Teológica Batista de São Paulo. Idealizador do site Finanças para
a Vida e organizador do livro e do Seminário Sabedoria Financeira.
(paulodetarso@financasparaavida.com.br)
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