| Uma
nova geração
Por
Paulo de Tarso

Uma das melhores experiências que tenho
tido ultimamente é a de ensinar minhas duas filhas a lidar
com o dinheiro. ‘Pai, vamos ver o orçamento’, é uma
expressão comum aqui em casa. E elas têm apenas 7 e
10 anos. Quantos pais têm este privilégio? A semanada
tornou-se um instrumento de uso natural para o aprendizado de como
tratar as finanças das pequenas.
Finanças
não aprende na escola
Infelizmente, não é na escola que se aprende a lidar
com o dinheiro. Digo isto com uma certa tristeza. Depois de ter
passado anos de formação escolar, percebo o quanto
os currículos escolares estão distanciados da vida
real. Para mim, isto é simplesmente desastroso. Aprendemos
tantas coisas supérfluas e até agora não conseguimos
incluir educação financeira nas grades curriculares.
Aliado a isto, os métodos ainda são ultrapassados.
Um professor falando de coisas que não interessam e que pouco
tem a ver com a vida real. Não é de admirar que muitos
alunos não se sintam estimulados a ir à escola. O
resultado se repete. Profissionais sem nenhum treinamento para lidar
com o dinheiro vão repetir as muitas vezes amargas experiências
de seus pais. Trabalhar intensamente para pagar as dívidas,
num circulo vicioso, mas que necessita ser quebrado urgentemente!
Começando
já!
Bom, existem diversas formas de se ensinar as crianças a
administrar o dinheiro. Particularmente eu acho que a melhor delas
é passar às mãos delas uma certa quantia em
dinheiro, dar orientações, estabelecer metas e disciplina
e verificar o resultado. Você pode iniciar dando uma ‘semanada’,
uma quantia semanal para que elas administrem. Alguns pais dão
dinheiro sem orçamento. Eu não recomendo. Você
até poderia fazer isso durante uma ou duas semanas, só
para ver o que acontece, mas em seguida, deverá incluir um
orçamento com pelo menos três áreas que considero
fundamentais, pois irão valer para toda a vida: doações,
poupança e gastos. Se você as ensinar desta forma,
não necessitará incluir no futuro um outro item muito
comum no orçamento dos adultos: ‘Dívidas’.
Da teoria para a prática
Imagine que seu filho ganha uma semanada de R$ 10,00 (dez
reais). Então você poderia montar com ele o seguinte
orçamento:
Descrição |
Valor
(R$) |
Percentual |
Renda |
10,00 |
100% |
Doações |
1,00 |
10% |
Poupança |
3,00 |
30% |
Gastos |
6,00 |
60% |
Dicas
Doações: Experimente guardar durante
um certo tempo e dar um presente para uma criança pobre.
Pode parecer pouco, mas o importante é estabelecer princípios
que, ao longo do tempo que servirão para toda a vida. Este
dinheiro também pode ajudar uma ONG ou a igreja que a criança
freqüenta.
Poupança: Pergunte ao seu
filho o que ele gostaria de comprar com este dinheiro. Isto vai
ajudá-lo a ter mais clareza do que ele quer atingir. As crianças
necessitam de coisas mais palpáveis, como um brinquedo, livro
ou CD, por exemplo.
Gastos: Experimente incluir nos
gastos o lanche da escola e mais uma quantia que ele possa gastar
livremente.
Disciplina: Todo o fim de semana,
tire alguns minutos com seu filho para fazer os lançamentos
necessários e atualizar o orçamento.
Sucesso!
Paulo
de Tarso é engenheiro civil e mestre em teologia pela Faculdade
Teológica Batista de São Paulo. Idealizador do site Finanças para
a Vida e organizador do livro e do Seminário Sabedoria Financeira.
(paulodetarso@financasparaavida.com.br)
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