| Por
que não sou rico?
Por
Paulo de Tarso

Eu
acho que, pelo menos uma vez em nossas vidas, já devemos
ter pensado sobre a possibilidade de sermos pessoas ricas. Isto
normalmente acontece porque as pessoas, em geral, pensam que a riqueza
material poderia ser a solução, se não para
todos, pelo menos para a maioria dos problemas que normalmente enfrentamos
na vida. Responder a esta pergunta não é nada fácil,
mas creio que podemos lançar algumas reflexões bem
apropriadas para desvendar alguns aspectos deste intrigante questionamento.
Uma
via de mão dupla
Se analisarmos sobre o ponto de vista bíblico, e isto é
o que sempre nos propomos a fazer, a questão de riqueza tem
o aspecto de uma via de mão dupla. O que isto significa?
Significa que há pelo menos duas pessoas agindo simultaneamente
nesta equação. Deus e você. E aí necessitamos
saber qual papel cada um desempenha com relação às
finanças.
Papéis
de Deus
Segundo a Bíblia, Deus criou todas as coisas. (Gn 1.1). Mas
ele criou o dinheiro também? Não. O homem criou o
dinheiro. No entanto, hoje o dinheiro representa as posses materiais,
que têm origem na criação de Deus (por exemplo,
o carro não foi criado por Deus, mas os materiais empregados
na sua fabricação, sim). Deus também sustenta
a criação (Fl 4.19) e por fim, Ele tem um propósito
para a vida de cada pessoa que criou. (Lembra-se dos sonhos de José,
filho de Jacó? Se não, dê uma rápida
olhada em Gn 37 e seguintes)
Bom, eu penso que é justamente na questão do propósito
de Deus para cada pessoa que parte da equação da riqueza
pode ser respondida. Será que você pode imaginar Madre
Tereza de Calcutá como sendo uma rica empresária,
atuando no ramo imobiliário? Parece no mínimo estranho,
não? Ou quem sabe, Antônio Ermírio como assistente
social, atuando nas favelas da cidade de São Paulo? Será
que ele se encaixaria nesse perfil? Será então que
Deus já definiu quem serão os ricos e os pobres e
nada restou para o homem fazer? (Este não um estudo formal
sobre soberania de Deus x livre arbítrio do homem!)
Papel
do homem
Uma outra parte desta equação diz respeito ao que
nós, como pessoas, devemos fazer. A Bíblia declara
que somos administradores da criação. (Gn 1.26b).
De uma forma prática, isto significa que temos de administrar
bem o nosso salário (para os mais abastados, podemos acrescentar
à lista juros das aplicações e investimentos,
dividendos, etc.). Cada um de nós tem habilidades diferentes
em relação ao dinheiro. Alguns conseguem ganhar muito,
mas são inseguros na administração, por isso
perdem tudo mais cedo ou mais tarde. Outros administram bem, mas
ganham relativamente pouco para se candidatar a serem os “novos
ricos”. Ou seja, assim como cada pessoa tem habilidades distintas
(uns cantam divinamente enquanto outros só no banheiro),
nossas habilidades com o dinheiro também diferem de uma pessoa
para outra. Logo, minha conclusão está ligada, em
maior ou menor escala às variáveis: Plano de Deus
e capacidade de administração.
O
que fazer com o dinheiro?
Eu não quero simplificar esta equação, que
é bem mais complexa. Mas quero lembrar ao leitor que, mesmo
pessoas com limitadas capacidades naturais para lidar com o dinheiro,
podem chegar a ultrapassar outras mais naturalmente aquinhoadas
se se dispuserem a aplicar os princípios corretos de administração
do dinheiro, estabelecendo metas e imprimindo a disciplina necessária.
(Imagine, por exemplo, se Mozart, apesar de todo o seu potencial
natural, nunca tivesse aprendido música!) Logo, você
não deve ficar escondido atrás de sua aparente inabilidade
para lidar com dinheiro. A administração financeira
é dinâmica. Isto significa que desenvolvemos nossa
capacidade de gerir o dinheiro ao longo da vida. Uma criança,
por exemplo, tem uma capacidade limitada para tomar decisões
em relação ao dinheiro, mas, à medida que vai
crescendo e se educando financeiramente, sua atitudes podem torná-la
uma pessoa rica.
Riqueza,
um fim em si mesmo?
Eu quero concluir esta reflexão dizendo que a riqueza material
não deve ser um propósito por si mesma. Vamos lembrar
de José, um administrador por excelência que, ao longo
dos sete anos da fartura do Egito, gerou uma riqueza suficiente
para beneficiar as pessoas durante os seguintes sete anos de extrema
fome (Leia Gn 41.47-49). Embora para a sociedade em que vivemos,
riqueza tenha o significado de “privilégios”, para Deus,
ela significa essencialmente “responsabilidades”, das quais certamente
teremos que prestar contas. (Leia a parábola dos talentos
em Mt 25.14-28)
Paulo
de Tarso é engenheiro civil e mestre em teologia pela Faculdade
Teológica Batista de São Paulo. Idealizador do site Finanças para
a Vida e organizador do livro e do Seminário Sabedoria Financeira.
(paulodetarso@financasparaavida.com.br)
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