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Dívidas V

Como
nação, uma das bênçãos da obediência para Israel era não ter que
tomar emprestado.” ...Vocês emprestarão a muitas nações, e de
nenhuma tomarão emprestado.” (Dt 28.12). O texto, no entanto,
deixa implícito que a nação de Israel teria recursos para emprestar
a outras nações. A implicação é de que, emprestar não é em si mesmo
um mal, desde que seja feito com a atitude correta. Contrariamente,
uma das conseqüências da desobediência seria ter que tomar emprestado
de outras nações. “Eles lhes emprestarão dinheiro, mas vocês
não emprestarão a eles.” (Dt 28.44)
É
provável que Israel não tenha conseguido levar a bom termo as prescrições
da Lei bem como da literatura de sabedoria (Pv 28.8) em relação
à proibição da cobrança de juros, o que se refletiu numa escravização
econômico-financeira do seu povo pelos próprios irmãos israelitas.
Exemplos
negativos
Exemplos
clássicos e tristes podem ser recordados como o notório caso na
vida dos israelitas na época de Neemias. Apesar de serem do mesmo
sangue, por causa de dívidas não saldadas, os judeus estavam escravizando
seus próprios irmãos. Era até mesmo contraditório ver que os judeus,
que naquele momento tinham a possibilidade de reconstruir sua nação
estivessem se separando de suas famílias para serem escravos, um
fenômeno deplorável, que nem mesmo no exílio encontrou semelhança.
Neemias tomou uma posição firme no sentido de garantir a liberdade
de seus irmãos judeus.
Ora, o povo, homens e mulheres, começou a reclamar muito
de seus irmãos judeus. Alguns diziam: "Nós, nossos filhos e
nossas filhas somos numerosos; precisamos de trigo para comer e
continuar vivos". Outros diziam: "Tivemos que penhorar
nossas terras, nossas vinhas e nossas casas para conseguir trigo
para matar a fome". E havia ainda outros que diziam: "Tivemos
que tomar dinheiro emprestado para pagar o imposto cobrado sobre
as nossas terras e as nossas vinhas. Apesar de sermos do mesmo sangue
dos nossos compatriotas, e de nossos filhos serem tão bons quanto
os deles, ainda assim temos que sujeitar os nossos filhos e as nossas
filhas à escravidão. E, de fato, algumas de nossas filhas já foram
entregues como escravas e não podemos fazer nada, pois as nossas
terras e as nossas vinhas pertencem a outros". Quando ouvi
a reclamação e essas acusações, fiquei furioso. Fiz uma avaliação
de tudo e então repreendi os nobres e os oficiais, dizendo-lhes:
"Vocês estão cobrando juros dos seus compatriotas!" Por
isso convoquei uma grande reunião contra eles e disse: Na medida
do possível nós compramos de volta nossos irmãos judeus que haviam
sido vendidos aos outros povos. Agora vocês estão até vendendo os
seus irmãos! Assim eles terão que ser vendidos a nós de novo! Eles
ficaram em silêncio, pois não tinham resposta. Por isso prossegui:
O que vocês estão fazendo não está certo. Vocês devem andar no temor
do nosso Deus para evitar a zombaria dos outros povos, os nossos
inimigos. Eu, os meus irmãos e os meus homens de confiança também
estamos emprestando dinheiro e trigo ao povo. Mas vamos acabar com
a cobrança de juros! Devolvam-lhes imediatamente suas terras, suas
vinhas, suas oliveiras e suas casas, e também os juros que cobraram
deles, a centésima parte do dinheiro, do trigo, do vinho e do azeite.
E eles responderam: "Nós devolveremos tudo o que você citou,
e não exigiremos mais nada deles. Vamos fazer o que você está pedindo".
Então convoquei os sacerdotes e os fiz declarar sob juramento que
cumpririam a promessa feita. Também sacudi a dobra do meu manto
e disse: Deus assim sacuda de sua casa e de seus bens todo aquele
que não mantiver a sua promessa. Tal homem seja sacudido e esvaziado!
Toda a assembléia disse: "Amém!", e louvou o SENHOR. E
o povo cumpriu o que prometeu. (Ne 5.1-13).
O
profeta Ezequiel também acusou os israelitas de cobrança de juros
(Ez. 18.5-18, 22:12)
Em seu meio há homens
que aceitam suborno para derramar sangue; você empresta a juros,
visando lucro, e obtém ganhos injustos, extorquindo o próximo. E
você se esqueceu de mim. Palavra do Soberano, o SENHOR.(Ez
22.12).
Estes
são alguns dos eventos que documentam como o povo de Israel, principalmente
os mais abastados não souberam lidar bem com as diretrizes de Deus
para abençoar a nação através do uso correto do dinheiro, oprimindo
o povo com escravidão financeira.
Paulo
de Tarso é engenheiro civil. Idealizador do site Finanças para a
Vida e organizador do livro e do Seminário Sabedoria Financeira.
(paulodetarso@financasparaavida.com.br)
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