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Dívidas IV

Gostaria
agora de analisar o que a Bíblia fala a respeito de dívidas para
que tenhamos uma orientação segura sobre este tema e como estas
diretrizes poderiam ser aplicadas para o contexto da sociedade atual.
No
Antigo Testamento
Desde
quando Deus comunicou a Lei através de Moisés, havia uma preocupação
básica para que os israelitas não sofressem devido à dificuldades
financeiras. Um dos ideais de Deus para o povo Israel é que não
houvesse pobres entre eles: “Assim, não deverá haver pobre algum
no meio de vocês,...” (Deuteronômio 15.4).
Dívida
e Juro
Para
que este ideal se tornasse realidade, algumas diretrizes foram dadas
por Deus, tais como:
A
vedação da cobrança de juros.
"Se
fizerem empréstimo a alguém do meu povo, a algum necessitado que
viva entre vocês, não cobrem juros dele; não emprestem visando lucro.
(Ex 22.25)
E
o cancelamento das dívidas a cada 7 anos. No
final de cada sete anos as dívidas deverão ser canceladas. Isso
deverá ser feito da seguinte forma: todo credor cancelará o empréstimo
que fez ao seu próximo. Nenhum israelita exigirá pagamento de seu
próximo ou de seu parente, porque foi proclamado o tempo do SENHOR
para o cancelamento das dívidas. Vocês poderão exigir pagamento
do estrangeiro, mas terão que cancelar qualquer dívida de seus irmãos
israelitas. (Deuteronômio
15.1-3)
Deus
queria evitar que o povo, agora livre do jugo egípcio, eventualmente
voltasse a uma condição de escravidão, embora de caráter econômico-financeiro,
mas que, em última análise, os levaria novamente a serem escravos.
Assim, pode-se entender que não havia proibição de emprestar, nem
de tomar emprestado. Apenas a proibição de visar lucro, cobrando-se
juros do irmão israelita, visto que o mesmo estava numa condição
de necessidade e, portanto, não deveria ser explorado por qualquer
emprestador.
Garantia
Neste
processo de emprestar e tomar emprestado, estava prevista a cobrança
de um penhor, uma garantia exigida pelo emprestador ao devedor.
Contudo, o emprestador não deveria se prevalecer de sua posição
para explorar o devedor necessitado. Por esta razão, caso a garantia
fosse um objeto de uso corriqueiro, deveria ser devolvida ao devedor
para seu uso pessoal, como o manto, por exemplo, que o devedor eventualmente
necessitaria para dormir.
"Se tomarem como garantia o manto
do seu próximo, devolvam-no até o pôr-do-sol, porque o manto é a
única coberta que ele possui para o corpo. Em que mais se deitaria?
Quando ele clamar a mim, eu o ouvirei, pois sou misericordioso.
(Êxodo 22.26-27)
Sistema
Econômico
Sendo
a economia de Israel basicamente baseada na agricultura e pecuária,
não havia nada igual em termos de sistema financeiro como posteriormente
ocorreria na época do Novo Testamento, como também nos dias atuais.
Os empréstimos tinham caráter meramente caritativos e não comerciais,
razão pela qual era vedada a cobrança de juros. O objetivo do empréstimo
era o de ajudar um irmão israelita que se encontrava em dificuldades
financeiras
Se
alguém do seu povo empobrecer e não puder sustentar-se, ajudem-no
como se faz ao estrangeiro e ao residente temporário, para que possa
continuar a viver entre vocês. Não cobrem dele juro algum, mas temam
o seu Deus, para que o seu próximo continue a viver entre vocês.
Vocês não poderão exigir dele juros nem emprestar-lhe mantimento
visando lucro. (Lv 25.35-37)
É
interessante notar que não se identifica o que teria causado o empobrecimento
deste israelita. Quaisquer que tenham sido as razões, esta pessoa
deveria ser ajudada conforme os parâmetros acima expostos.
Paulo
de Tarso é engenheiro civil. Idealizador do site Finanças para a
Vida e organizador do livro e do Seminário Sabedoria Financeira.
(paulodetarso@financasparaavida.com.br)
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