Sobre
Dívidas I

Uma
pesquisa divulgada pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças,
Administração e Contabilidade (ANEFAC) mostrou que, em média, os
custos financeiros correspondem a quase um terço do orçamento total
das famílias brasileiras com renda entre um e cinqüenta salários
mínimos. Considerando que neste percentual
não está incluído o principal da dívida, é razoável concluirmos
que o endividamento das famílias brasileiras é, no mínimo, preocupante.
Outra pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatísticas, divulgada em maio de 2004, apresentou o seguinte
um quadro: A Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) revelou que 85%
das famílias sentem alguma dificuldade para chegar ao final do mês
com seus rendimentos.
Vejamos
as considerações da Revista Época sobre o assunto:
Sobra
cada vez mais mês no final do salário - e a pilha de contas a pagar
tende a ficar perigosamente maior do que o dinheiro que entra. O
número de brasileiros enrascados na ciranda das dívidas e no pesadelo
da inadimplência cresce com a mesma rapidez com que uma cobrança
chega à porta de casa. Os meses são intermináveis para quem não
consegue resolver a matemática dos gastos e recorre a empréstimos
com juros estratosféricos para conseguir fechar as contas.
As
considerações da Revista Isto É seguem uma linha semelhante:
A imagem estampada nas duas páginas anteriores resume com precisão
as atuais angústias econômicas e financeiras dos brasileiros: o
buraco do ralo é grande; a vazão da torneira, pequena. Pesquisas,
teses e manifestações de desespero por todos os lados mostram que
pouquíssimas vezes a classe média esteve tão quebrada ou a caminho
da falência.
E
ainda: “Quem toma empréstimo corre o risco de perder controle dos
débitos. Em pesquisa recente da InterScience, 80% dos 500 entrevistados
se disseram muito preocupados com os juros e com medo de não conseguir
pagar suas dívidas.”
Pondere
sobre o caso do analista Ricardo Thome.
O analista de sistemas Ricardo Thome, de 27 anos, é um típico gastador
compulsivo. Ele reconhece o problema e atribui o aperto que está
vivendo a sua falta de disciplina. Apesar de ter emprego fixo, ganhar
bem e ser solteiro, Thome está há mais de seis meses no vermelho.
Curiosamente, sua situação piorou quando ele foi contratado. Até
outubro, ele tinha uma empresa e prestava serviço para um grande
cliente. Recebia R$ 6 mil. Quando essa empresa resolveu contratá-lo
com um salário um pouco menor, seu rendimento líquido caiu 40% por
causa dos descontos feitos na folha. Como ele já tinha um padrão
de gastos alto, com financiamento de carro novo e mensalidade de
faculdade, entrou no vermelho e não conseguiu mais sair. Aflito,
tentou resolver o problema trocando um Fiat Marea por uma picape
Strada, o que aliviou a situação, mas não resolveu. 'Deveria ter
sido mais radical', diz. Outro erro foi ter feito um empréstimo
no banco para pagar uma dívida de R$ 2 mil do cartão. A operação
em si não era ruim, já que os juros do banco eram menores. Ocorre
que, ao fazer isso, Thome voltou a usar o cartão de forma descontrolada
em vez de cancelá-lo. Dois meses depois, tinha a pendência com o
banco e uma nova dívida no cartão. Agora, para resolver de vez,
quer vender a Strada por R$ 16 mil. 'Reconheço que meu problema
sempre foi um pouco de desleixo', diz.
Em
minha experiência como educador financeiro, o que tenho notado é
que este mal do endividamento atinge indistintamente, cristãos e
não cristãos. No entanto, não deveria ser assim, pois o leitor atento
da Bíblia vai encontrar diretrizes mais que suficientes para, pelo
menos, evitar as dívidas.
Paulo
de Tarso é engenheiro civil. Idealizador do site Finanças para a
Vida e organizador do livro e do Seminário Sabedoria Financeira.
(paulodetarso@financasparaavida.com.br)
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