Economizar
– O elo perdido

Para
aqueles que, como eu, estão na meia idade, não é difícil constatar
que a prática de economizar era algo que fazia parte da geração
dos nossos avós e até mesmo dos nossos pais. Quaisquer que fossem
as quantias, a formação de reservas se constituía num caminho apropriado
para se conseguir comprar bens necessários, assim como os desejados.
De forma paulatina o sistema de crédito foi roubando nossa vitalidade
financeira e o economizar tornou-se o elo perdido na construção
de uma base sólida para a administração do dinheiro.
José,
um exemplo a ser seguido.
Gosto
de lembrar de José, filho de Jacó, utilizando a expressão “O Fator
Zafenate-Panéia”. Para os que têm familiaridade com as narrativas
bíblicas, José é um personagem bem conhecido. No entanto, no meu
entender, José é um “case” de completo sucesso que vale a pena estudarmos
profundamente. O nome Zafenate-Panéia
foi-lhe dado pelo faraó na ocasião em que José interpretou dois
sonhos chaves que intrigavam o faraó e toda a sua corte. Segundo
a interpretação dada por Deus a José, haveria sete anos de fartura
no Egito, seguidos por outros sete anos de fome rigorosa. Deus,
através do faraó, elevou José à posição de Primeiro Ministro do
Egito, e responsável pelo plano de sustentação econômica pelos anos
que se seguiriam. Durante os sete primeiros anos a terra produziu
com muita fartura. José colocou em prática o plano de economizar
vinte por cento de toda a produção egípcia, que segundo ele, serviria
de reserva para que o Egito não fosse arrasado pelos anos vindouros
de fome gravíssima.
Tempos
de fartura e fome – um fenômeno que se repete
Embora
o evento acima citado tenha sido único, pelo menos até onde conhecemos,
o fato é que períodos de fartura e escassez acontecem com certa
regularidade na vida de cada um de nós. Já conversei com várias
pessoas que viveram períodos de mesa farta e muito dinheiro girando
em sua conta corrente mas que agora passam por dificuldades financeiras
que jamais poderiam imaginar viessem a ser uma realidade em suas
vidas. Às vezes fico matutando porque os egípcios não colocaram
em prática um plano semelhante ao de José, sendo assim, não teriam
que perder tudo quanto possuíam quando vieram os tempos de fome.
Será que não sabiam o que aconteceria com a terra, ou não foram
diligentes em economizar para o futuro? Bom, não podemos mudar a
história dos egípcios, mas certamente podemos aprender com José
que necessidades futuras são supridas com decisões presentes.
Formando
reservas
O
ser humano é um ser complexo. Foi assim que Deus nos criou, por
isso nem sempre é simples diagnosticar por que agimos desta ou daquela
maneira. No entanto, na minha experiência, vejo que algumas coisas
contribuem para nossa incapacidade de economizar: Falta de objetivos,
indisciplina e crédito fácil. Um pouco antes de minha primeira filha
completar nove anos, começamos a dar a ela uma mesada, e elaboramos
seu primeiro orçamento, bem simplificado, que envolvia as áreas
do dar, economizar e gastar, com valores financeiros estipulados
para cada uma delas. Perguntei para ela o que ela gostaria de comprar
no futuro, com suas economias: um tênis, determinou ela. Ao longo
dos meses, notei que a clareza do que ela queria comprar a ajudava
em muito no processo de economizar, de forma tal que até mesmo uma
parte do dinheiro destinado aos gastos ela separava para que alcançasse
mais rapidamente a quantia necessária para a compra do tênis. Quando
economizamos, precisamos saber não apenas porque, mas também para
que o estamos fazendo.
Para
vencermos a indisciplina, uma dica é separarmos a quantia a economizar
antes de começarmos a gastar. Isto pode ser feito através de um
débito programado para reservas em sua conta corrente tão logo você
receba o pagamento. Por último, faça um esforço para fugir do crédito
fácil. Na minha experiência, os resultados são quase sempre penosos
para quem toma emprestado. Além do mais, se você economizar de forma
diligente, não necessitará contar com recursos de terceiros.
Concluindo
O
sistema de crédito vigente contribuiu sensivelmente para tornar
o economizar o elo perdido na construção de uma base sólida para
a administração do dinheiro.
José
nos deixou um exemplo de que economizar é uma diretriz segura para
suprir necessidades futuras sem termos que contar com poupança de
terceiros, pois tempos de abundância e escassez são fenômenos comuns
nas finanças pessoais e corporativas.
Alvos
claros e disciplina são fatores fundamentais no processo de formação
de reservas, por isso estabeleça os alvos que necessita alcançar
e empenhe-se no dia a dia para torná-los uma realidade, pois como
declarou o escritor de Provérbios: “O homem de bom senso economiza
e tem sempre bastante comida e dinheiro em sua casa; o tolo gasta
todo o seu dinheiro assim que o recebe.” (Pv 21.20 - BV)
Sobre
Paulo de Tarso
Paulo de Tarso é engenheiro civil. Idealizador do site Finanças
para a Vida e organizador do livro e do Seminário Sabedoria Financeira.
(paulodetarso@financasparaavida.com.br)
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