Conseqüências
do pecado sobre a administração do dinheiro I
Por
Paulo de Tarso

De
maneira geral, o pecado teve como conseqüência básica a quebra do
relacionamento do homem com Deus. O fato é que todas as áreas de
ação ou pensamento do homem foram afetadas pelo pecado. Os teólogos
chamam de “depravação total” este fenômeno de amplitude irrestrita
em seus efeitos.
Vejamos
pelo menos algumas áreas da administração do dinheiro que foram
afetadas pelo pecado:
Trabalho
Árduo
Logo
em seguida à queda do homem, Deus colocou de maneira direta, algumas
das conseqüências do pecado em relação às posses: necessidade de
trabalho pesado para produção de alimentos; a terra produziria espinhos
e ervas daninhas. “E ao homem declarou: "Visto que você
deu ouvidos à sua mulher e comeu do fruto da árvore da qual eu lhe
ordenara que não comesse, maldita é a terra por sua causa; com sofrimento
você se alimentará dela todos os dias da sua vida. Ela lhe dará
espinhos e ervas daninhas, e você terá que alimentar-se das plantas
do campo. Com o suor do seu rosto você comerá o seu pão, até
que volte à terra,...” (Gênesis 3.17-19). Tudo o que o homem tinha
de forma naturalmente providenciada por Deus, agora passa por um
exaustivo processo de produção, no qual, o homem tem que imprimir
um esforço árduo para a obtenção do resultado desejado.
Egocentrismo
O
homem se concentra em si próprio, em suas necessidades e desejos.
Não há uma preocupação com Deus ou com seus semelhantes. O foco
passa a ser o eu. É impressionante notar como o pecado afetou a
noção do homem de eternidade. É bem possível que, não tendo mais
uma perspectiva de eternidade, e consequentemente, centrando esforços
para uma satisfação imediata de suas necessidades e desejos, o homem
se volta primordialmente para a obtenção de bens materiais, deixando
em segundo plano a busca dos relacionamentos, seja com Deus, ou
com o seu semelhante. Jesus colocou de maneira apropriada a forma
pela qual o homem poderia ser destronado do centro das atenções
quando disse: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se
a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a
sua vida, a perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa,
a encontrará. Pois, que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro
e perder a sua alma? (Mateus 16.24-26). A implicação é que não
vale a pena ter todo o dinheiro do mundo se isto implicar num distanciamento
eterno do Criador.
Cobiça
Segundo
o Dicionário Ilustrado da Bíblia, a cobiça é o desejo intenso de
possuir algo (ou alguém) que pertence a outra pessoa.
O
pecado levou o homem a desejar cada vez mais dinheiro. Impressiona-nos
o fato de que este desejo de possuir o dinheiro de seus semelhantes
afeta diretamente os relacionamentos com as pessoas e com o próprio
Deus.
Com
o pecado, a cobiça passou a ser uma marca tão indelével na vida
do homem, que Deus reservou um dos dez mandamentos para tratar especificamente
deste mal, "Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás
a mulher do teu próximo, nem seus servos ou servas, nem seu boi
ou jumento, nem coisa alguma que lhe pertença". Diversos
pecados mencionados na Bíblia estão ligados à cobiça: o desejo de
Acã (Josué 7.20-21), o desejo de Geazi (2 Reis 5.20-27), a traição
de Judas (Mateus 26.14-15).
Avareza
A
avareza é a apego excessivo ao dinheiro ou às riquezas. A avareza
afeta parcial ou completamente nossa capacidade de dar, de exercer
a generosidade, que é um dos mais excelentes alvos da vida cristã
(At 21.35b). O apóstolo Paulo considerou a avareza uma espécie de
idolatria (Cl 3.5).
A
parábola do rico insensato evidencia bem essa incapacidade
do homem de repartir seu dinheiro com outras pessoas. A terra havia
produzido bastante, então o homem rico pensou em construir celeiros
maiores e disse para si próprio: “Você tem grande quantidade
de bens, armazenados para muitos anos. Descanse, coma, beba e alegre-se.”
(Lucas 12:19). A resposta de Deus é conclusiva: 'Insensato! Esta
mesma noite a sua vida lhe será exigida. Então, quem ficará com
o que você preparou?' "Assim acontece com quem guarda para
si riquezas, mas não é rico para com Deus". (Lucas 12.20-21).
Paulo
de Tarso é engenheiro civil. Idealizador do site Finanças para a
Vida e organizador do livro e do Seminário Sabedoria Financeira.
(paulodetarso@financasparaavida.com.br)
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