Administração
do Dinheiro – tudo começou na criação
Por
Paulo de Tarso
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A
narrativa bíblica do Gênesis é bastante elucidativa para compreendermos
que nosso papel como administradores do dinheiro começou exatamente
no contexto da criação do mundo material. A primeira expressão
do autor do Gênesis foi: “No princípio Deus criou os céus
e a terra” (Gênesis 1.1).
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Foram
seis dias de atividade criadora através da qual o mundo material
veio a existir.
Um Deus espiritual
criando um mundo material
A
primeira evidência da importância das coisas materiais é o fato
de que Deus, que é um ser espiritual (Jo 4.24) trouxe à existência
o mundo material. Cinco vezes a narrativa da criação afirma que
Deus a viu e a considerou boa (Gn 1.10, 12, 18, 21, 25). E ao completar
a criação do homem, mais uma vez Deus declarou que tudo havia ficado
muito bom (Gn 1.31). Por esta razão, é importante reconhecermos
a bondade de Deus ao trazer a lume
as coisas materiais. Elas são expressão
do seu amor para com a humanidade. Os ascetas crêem na idéia de
que a natureza física é má, mas a Bíblia não apoia esta concepção.
Erickson nos diz que “para encontrar a salvação e a espiritualidade,
não se deve fugir da esfera material nem evitá-la, mas santificá-la.”
O
homem – administrador da criação
Deus
criou o homem à sua imagem e semelhança e em seguida declarou: “Domine
ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os grandes
animais de toda a terra e sobre todos os pequenos animais que se
movem rente ao chão" (Gn 1.26). Este domínio implica na
grande responsabilidade de administrar o mundo criado por Deus.
Para alguns teólogos a imagem de Deus no homem consistiria nesse
algo que “fazemos”, ou seja, no exercício do domínio sobre a criação.
Independentemente da relação com a imagem de Deus, o fato é que
coube ao homem a administração do mundo material, e ela deve ser
realizada da melhor maneira possível, conforme as diretrizes do
Criador. O escritor de Salmos declara: Tu o fizeste dominar sobre
as obras das tuas mãos; sob os seus pés tudo puseste: todos os rebanhos
e manadas, e até os animais selvagens, as aves do céu, os peixes
do mar e tudo o que percorre as veredas dos mares.(Sl 8.6-8).
O
homem – administrador do dinheiro
Ao
longo do tempo, as sociedades se formaram e estabeleceram regras
específicas para a partilha dos bens materiais.
As
dificuldades inerentes às relações de troca levaram à criação do
dinheiro, nas suas mais diversas formas. Hoje, as posses materiais
são representadas pelo dinheiro que possuímos.
O
pecado, no entanto, teve uma impacto tremendo sobre a relação do
homem com o dinheiro. Em outro artigo abordaremos este assunto.
Mas o que queremos ressaltar aqui é que o dinheiro passou a ter
importância capital para as pessoas. Se num primeiro momento a administração
o dinheiro significava responsabilidades, a idéia posterior ao pecado
é considerá-lo apenas sob o aspecto dos privilégios provenientes
de sua posse. A parábola dos talentos (Mt 25.14-30) nos dá um entendimento
mais amplo das responsabilidades provenientes da administração do
dinheiro e de como temos de prestar contas em relação à essa administração.
Conclusão
No
Gênesis, Deus criou o mundo material, e, embora algumas correntes
de pensamento considerem ruim a matéria, o Criador enfaticamente
atesta que toda a sua criação é boa.
Ao
criar o homem, Deus passa a ele a responsabilidade pela administração
de sua criação. O domínio implica desenvolvimento de capacidades
mas também uma gestão pautada nos princípios estabelecidos por Deus.
Hoje,
as posses são representadas pelo dinheiro que possuímos. Ao contrário
do pensamento comum, quanto mais dinheiro possuímos, maiores são
nossa responsabilidades, pois teremos que prestar contas de cada
decisão que tomamos em relação à sua administração.
Portanto,
desde a criação, fomos investidos das responsabilidade pela gestão
do dinheiro.
Paulo de Tarso é engenheiro civil. Idealizador do site Finanças
para a Vida e organizador do livro e do Seminário Sabedoria Financeira.
(paulodetarso@financasparaavida.com.br)
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